Índia: oportunidade de negócio para o Brasil

Índia: oportunidade de negócio para o Brasil
31 jul 2017

Índia: país recebe onda de investimentos estrangeiros e tem crescido mais que a China; trajetória de expansão demandará commodities minerais e agrícolas, nas quais as brasileiras são competitivas

Índia – Em um momento em que o mundo está se fechando para o comércio internacional, a Índia surge como uma plataforma importante para o aumento da inserção do Brasil na economia global.

A avaliação é do economista Marcos Troyjo, diretor do BRICLab da Universidade Columbia (NY), onde é professor-adjunto de relações internacionais. Durante palestra no 7º Encontro Nacional de Editores, Colunistas, Repórteres e Blogueiros (Enecob) no último dia 27 em Porto Alegre, Troyjo afirmou que o crescimento econômico indiano abre possibilidades para a expansão das commodities brasileiras, não somente as agrícolas, como também as minerais, como é o caso minério de ferro.

Ele conta, por exemplo, que hoje existe apenas uma única autoestrada na Índia, a que liga a capital Nova Deli à cidade Agras [Yamuna Expressway], a qual possui somente 205 quilômetros de extensão. Ou seja, há um espaço para ampliar a infraestrutura. A área total daquele país é de mais 3,2 milhões de metros quadrados . “Isto cria grandes oportunidades para as commodities minerais brasileiras”, pontua Troyjo.

O economista esclarece que esta necessidade de expansão vem na esteira de uma onda de investimentos que adentram ao país com o objetivo de transformá-lo em uma grande plataforma de exportação. A China, por exemplo, é uma das nações que tem transferido a sua produção para a Índia.

O próprio governo indiano incentiva empresas multinacionais a se instalarem em seu país. Uma das iniciativas da Índia com este objetivo foi o lançamento do Make in India [Produza na Índia] no ano de 2014, pelo primeiro-ministro Narendra Modi.

“Com essa onda de investimentos chineses e de outros países entrando na Índia, a renda per capita do país avança, elevando os recursos disponíveis para o consumo. Isso significa que as pessoas comerão mais e que será necessário construir mais infraestrutura residencial e empresarial”, reflete o diretor do BRICLab.

“Se o Brasil conseguir aproveitar esta oportunidade, podemos ter um futuro melhor. Porém, se o País não fizer isso, significa que vamos continuar reproduzindo o padrão de contração e expansão [na economia] que, infelizmente, tem marcado a história brasileira nos últimos tempos”, complementa Troyjo.

PIB indiano

Há dois anos o Produto Interno Bruto (PIB) da Índia tem crescido mais do que o da China. Nos anos de 2015 e 2016, a economia indiana apresentou expansão anual de 7,9% e de 7,1%, respectivamente, enquanto na China as altas foram de 6,9% e 6,7%, na mesma base de comparação. Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Índia deve crescer 7,2% neste ano, ao passo que o PIB da China tende a avançar 6,7%.

Troyjo avalia ainda que, apesar das oportunidades que se desenham para o Brasil, o mundo vive, atualmente, um momento de contração do comércio internacional.

“O Brasil perdeu uma oportunidade muito importante nos últimos 13 anos, quando o mundo estava aberto para os negócios. Agora o mundo está se fechando para eles” , ressalta o economista, citando a tendência mais protecionista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Brexit no Reino Unido.

Sobre a atuação do Brasil nos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), Troyjo avalia que, além desta ser um facilitador da inserção do Brasil na Índia, é uma porta para trazer investimentos em infraestrutura ao País por meio do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco dos BRICS, criado em 2014.

No dia 26 de abril deste ano, inclusive, o Brasil assinou o seu primeiro acordo com o NBD. O contrato foi realizado com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com a previsão de um empréstimo inicial no valor de US$ 300 milhões para apoiar investimentos em geração de energias renováveis no Brasil. A parceria prevê financiamento a projetos de geração eólica, solar, hidroelétrica (pequenas centrais hidrelétricas), entre outros.

Para o diretor do BRICLab, há um potencial de que mais aportes via NDB venham para o Brasil, já que o atual presidente do banco, o indiano Kundapur Vaman Kamath, tem se empenhado em tentar equilibrar os recursos da instituição entre os países do grupo. Índia

Sobre a expectativa em relação a acordos comerciais, Troyjo analisa que, apesar de o Brasil estar mais aberto ao mundo do que esteve anteriormente, a crise política interna ainda é um impedidor de novos tratados. Para ele, será muito difícil para o País firmar acordos internacionais entre este e o próximo ano, desafio que deve ficar para o próximo governo, depois de 2019.

Números das trocas

Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) mostram que as exportações brasileiras para a Índia cresceram 70% no primeiro semestre de 2017, ante igual período de 2016, para US$ 2,4 bilhões. Os produtos mais vendidos foram os óleos brutos de petróleo, em US$ 904 milhões, correspondendo a 37,7% das exportações.

Já as compras que o Brasil realizou da Índia tiveram elevação de 12% no mesmo período, a US$ 1,3 bilhão, sendo que a principal importação foi de fios têxteis de poliéster. Enquanto o saldo comercial entre os países foi positivo em US$ 1,2 bilhão, a corrente de comércio foi de US$ 3,7 bilhões.

Paula Salati (Diário Comércio Indústria & Serviços – DCI)

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Lucas Matos

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