Parceiros comerciais: Brasil tem superávit com 78%

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06 out 2017

Parceiros comerciais: crescimento elevado das exportações, que são favorecidas pelo aumento dos preços de produtos básicos, contrasta com o patamar baixo das importações, que registram alta mais tímida em 2017.

São Paulo – O Brasil registrou superávit com 39 dos 50 principais parceiros comerciais das exportações entre janeiro e setembro deste ano. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).

Com o forte aumento das exportações em 2017 e as importações ainda em um patamar relativamente baixo, a Alemanha foi o único país, entre os 10 principais parceiros comerciais, que recebeu mais do que gastou nas trocas com os brasileiros.

Em nove meses, o déficit com o país europeu foi de US$ 3,3 bilhões, um pouco menor que o resultado negativo visto em igual período do ano passado (US$ 3,4 bilhões).

Por outro lado, foram marcados superávits bilionários com os cinco maiores parceiros comerciais, compradores de produtos brasileiros. Destaque para a balança comercial com a China, que chegou a US$ 18,2 bilhões neste ano, mais que o triplo da Argentina (US$ 5,8 bilhões), responsável pelo segundo saldo mais positivo.

Também ficaram no azul as trocas com Estados Unidos (US$ 1,3 bilhão), Países Baixos (US$ 5,5 bilhões) e Chile (US$ 1,2 bilhão).

Números

O grande número de resultados positivos se deve, principalmente, à derrocada das compras internacionais nos anos de crise, afirmam especialistas consultados pelo DCI. “Com a fraqueza da atividade interna, as importações recuaram mais que as exportações durante a recessão”, afirma Carlos Gustavo Poggio, professor de relações internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

Nos 12 meses de 2014, antes do início da crise, foram vistos superávits com 31 dos 50 principais destinos das mercadorias brasileiras.

Além da diminuição na quantidade de saldos negativos, vários resultados positivos tiveram avanço expressivo nos últimos três anos. A balança com a Argentina, por exemplo, fechou 2014 no azul em US$ 139 milhões, bem abaixo do saldo registrado em 2017.

A maior parte dos déficits que se mantiveram é visto nas relações comerciais com países desenvolvidos, que exportam produtos de maior valor agregado para o Brasil. “Para os mais ricos, vendemos laranja e importamos geleia de laranja. É natural que os déficits aconteçam”, diz Poggio.

Assim como a Alemanha, ficaram no vermelho as trocas com Itália (US$ 315 milhões), Coreia do Sul (US$ 1,7 bilhão), França (US$ 1,1 bilhão) e Suíça (US$ 836 milhões), entre janeiro e setembro deste ano.

Para os superávits, a tendência é de uma leve redução nos próximos meses, afirma Gabriel Cepaluni, professor de relações internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Isso porque, com a retomada da economia brasileira, as importações devem ter um avanço maior.

Queda de barreiras

Os entrevistados afirmam que a manutenção de resultados positivos com a maior parte do planeta não se deve ao desenho protecionista da legislação brasileira. “Pelo contrário, essas barreiras comerciais apenas impedem que as exportações cresçam”, afirma Poggio.

No ano passado, as vendas internacionais responderam por apenas 12,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo o Banco Mundial. A maioria dos países emergentes teve participação maior dos embarques na economia em 2016. É o caso da Índia (19,2%), da China (19,6%), da Turquia (22,1%) e da Rússia (25,7%). Também tiveram parcelas maiores vários países desenvolvidos, como a Itália (30%) e a Alemanha (46%).

Para Cepaluni, o Brasil tem condições de manter saldos superavitários após um processo de abertura para parceiros comerciais. “Mesmo um recuo dessa balança poderia ser positivo, já que a importação de bens estrangeiros pode elevar bastante a produtividade do País”, acrescenta o especialista. 

Saldo recorde

Entre janeiro e setembro deste ano, o Brasil registrou um superávit comercial de US$ 53,3 bilhões, o maior desde 1989, quando teve início a série histórica do Mdic.

Durante os nove meses, as importações do País chegaram a US$ 111,325 bilhões, uma alta de 18,7% em relação a igual período do ano passado. Entretanto, o patamar atual das compras segue bastante abaixo do registrado no começo da década, quando as trocas comerciais estavam no auge. Em nove meses de 2013, as aquisições no exterior chegaram a US$ 179,3 bilhões.

Já as exportações, em 2017, foram favorecidas pelo avanço dos preços das commodities e tiveram um crescimento de 18,7%, alcançando os US$ 164 bilhões. Em igual período de 2013, as vendas chegaram a US$ 177,5 bilhões. Com isso, a balança comercial daquele ano tinha um déficit de US$ 1,842 bilhão até setembro.

Para os 12 meses de 2017, o mercado espera saldo positivo de US$ 62 bilhões, de acordo com o relatório Focus, divulgado na última segunda-feira pelo Banco Central (BC). Esse resultado também seria o mais elevado da série histórica.

No vermelho

Desde 1997, o Brasil terminou apenas cinco anos com déficit comercial. Quatro resultados no vermelho ocorreram na década de 1990, em 1997, 1998, 1999 e 2000, e o saldo negativo mais recente foi marcado em 2014, quando as importações superaram as exportações em US$ 4,054 bilhões.

Diário do Comércio e Indústria – DCI

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Lucas Matos

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